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ÍNDICE
- (Clique na seta ao lado para chegar
ao tópico desejado) |
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Conheça
melhor essa palmeira |
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Vantagens
da pupunha na produção do palmito |
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Da
pupunha aproveita-se quase tudo |
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Custos
de implantação |
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Escolha
da área |
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Recomendações
para o cultivo |
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Como
produzir mudas e aproveitar melhor as sementes |
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Semeadura |
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Como
semear em germinador de areia |
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Saiba
transplantar as mudas |
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Veja
como enviveirar |
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Capriche
no preparo do terreno |
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Plantio
no campo |
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Principais
tratos culturais |
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Irrigação
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Pragas
e doenças no campo |
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Desbaste
de perfilhos |
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Consorciação
com outras culturas |
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Colheita
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Legalidade |
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Processamento |
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Características
do palmito |
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Recomendações
finais |
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CONHEÇA MELHOR
ESSA PALMEIRA
O Palmito da Pupunha ou Pupunheira, vem se consolidando como um agronegócio extremamente viável sob os aspectos econômicos, sociais e ambientais.
Palmeira perene, produzindo palmito no sistema de cultivo, a pupunheira é uma excelente opção de matéria prima para a uma indústria que possui demanda de aproximadamente 100.000 ton/ano (mercado interno), e que hoje depende em 80% do abastecimento de produto extrativista . O Palmito de Pupunha com apenas 18 % do mercado é responsável pela preservação de pelo menos 100 milhões de Palmeiras Nativas por ano .
O palmito da Pupunheira possui uma característica única entre os demais, ele não escurece após o corte, podendo ser consumido da maneira tradicional em conserva, como também In Natura ou Minimamente Processado e Resfriado , abrindo um novo e inexplorado caminho de comercialização.
Segundo Mora–Urpi (1999), a origem da pupunheira cultivada é o resultado da domesticação independente de várias espécies silvestres, encontradas desde a Bolívia até a Nicarágua, as quais têm sofrido múltiplas hibridações, resultando numa “espécie sintética” Bactris gasipaes). A pupunheira foi distribuída pelos Ameríndios no período pré–colombiano, desde seu provável centro de origem e domesticação no sudoeste da Amazônia. Estes povos nativos, excelentes observadores e melhoristas de plantas, efetuaram a seleção para o caráter de planta inerme (sem espinhos) em diversos lugares , principalmente em Yurimáguas no Peru (raça Pampa Hermosa) com 93 % inermes e em Benjamin Constant no Brasil (raça Putumayo) com 79% inermes. O cultivo da pupunheira para Palmito no Brasil teve maior expansão a partir da década de 80 através dos resultados das pesquisas, principalmente das raças com germoplasma com alta taxa de plantas sem espinhos, de Instituições brasileiras, tais como o INPA (Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia) com a coordenação do Dr. Charles Roland Clement e no IAC (Instituto Agronômico de Campinas) com a coordenação da Drª Marilene Leão Alves Bovi (desde 1972 desenvolvendo pesquisas sobre os Palmitos da Juçara, do Açaí e da Pupunha).
O caráter empresarial do palmito de pupunha desenvolveu – se através de empresas como a Floresta Ind. e Com. Ltda e a Selo Verde Com. Agrícola Ltda , que buscaram uma opção que agregasse em seus produtos e ações , valores éticos , ambientais e profissionais.
VANTAGENS DA PUPUNHA
NA PRODUÇÃO DE PALMITO
Rusticidade. Não é muito exigente
em solos, mas se desenvolve melhor com a adubação.
Precisa de água para crescer, porém, não
tolera encharcamento. Clima quente, úmido e precipitação
pluviométrica (chuvas) bem distribuída, ou
seja, acima de 1.600 milímetros por ano. Racionalidade
no cultivo, possibilidade de colheita em quase todos os
meses do ano. Vigor e rápido crescimento, precocidade
em produzir: o primeiro corte acontece a partir de 18 meses
do plantio. Perfilhamento, ou seja, a planta forma touceira
como a bananeira e, após o primeiro corte, os filhotes
crescem permitindo produção permanente. Isso
não acontece com a espécie juçara pois,
ao se retirar o palmito, mata-se a planta.
Baixos índices de substâncias
oxidantes, o que proporciona alterações mínimas
no sabor e no aroma do palmito, além de demorar a
escurecer. Apesar de o sabor do palmito da pupunheira ser
um pouco mais adocicado e sua coloração mais
amarelada do que as espécies tradicionais, juçara
e açaí, essas diferenças ficam quase
imperceptíveis após seu processamento, sendo
bem aceito.
DA
PUPUNHA APROVEITA-SE QUASE
TUDO
Os frutos, ricos em vitamina A e em amido
(carboidratos), podem ser consumidos ao natural, cozidos
em água ou fermentado na água para refresco.
Deles, ainda pode se obter vinho, vinagre, manteiga, azeite,
além de excelente farinha para consumo ao natural
ou o preparo de mingaus, bolos e outros pratos.
Do mesocarpo, ou seja, da polpa dos frutos
preparam-se picles. As folhas, o tronco, inclusive os frutos,
são usados na ração animal. Do tronco
pode-se extrair a celulose. Sua madeira também é
aproveitada por ser de grande resistência e elasticidade.
A parte apical, de onde se extrai o palmito, é macia
e de sabor suave. Chama-se palmito a parte cilíndrica,
localizada na parte superior da estipe, representada pelo
conjunto de bainhas das folhas, em cujo centro se encontra
a parte comestível.
Por isso tudo e também porque a atividade
palmiteira extrativista do Brasil está esgotando
estoques naturais, a pupunha apresenta potencialidade para
a exploração racional do palmito, com objetivos
econômicos.
CUSTOS DE IMPLANTAÇÃO
Os custos de implantação,
variam de acordo com as condições logísticas
e edafoclimáticas da propriedade. OBS: Consultar
um especialista ou visitar propriedades em condições
similares de onde se deseja implantar a cultura.
ESCOLHA DA ÁREA
O terreno deve ter de preferência relevo plano ou ondulado e a declividade ser, no máximo, de 15 por cento (maiores declividades, não inviabilizam a cultura, mas encarecem os manejos de plantio e produção). Apesar de a pupunheira ter origem em região tropical, com altas precipitações de chuvas e solos pobres, seu crescimento é melhor quanto mais fértil for a terra. Portanto, o solo deve ser profundo, bem-drenado, de textura média e não compactado.
RECOMENDAÇÕES
PARA O CULTIVO
A pupunha é obtida a partir de semente.
A muda é formada em viveiro e é plantada no
campo a pleno sol. Para iniciar o cultivo, as sementes devem
ser adquiridas de fornecedores que garantam pelo menos 70%
de germinação. Dessas, admite-se que até
6% gerem plantas com espinhos. As mudas com espinhos, as
sementes atacadas por fungos ou insetos e aquelas que não
germinaram em até 120 dias após a semeadura
devem ser descartadas. De um quilo, com aproximadamente
340 sementes, podem-se formar, aproximadamente, 200 mudas
sem espinhos.
De 6 a 10 meses depois da semeadura, dependendo
das características das mudas, da condição
do viveiro, das perdas e descartes, deve-se plantar cerca
de 200 mudas no local definitivo. As plantas de melhor desenvolvimento
podem ser reservadas para a produção própria
de sementes. É preciso fazer o plantio das sementes
rapidamente, para que elas não percam o poder germinativo.
Mantendo-as úmidas e arejadas, é possível
retardar a semeadura por três a quatro semanas, mas
deve-se ter mais cuidado no manuseio para não danificar
os embriões de sementes em início de germinação.
COMO PRODUZIR MUDAS E
APROVEITAR MELHOR AS SEMENTES
Cada pupunheira produz de cinco a oito cachos
por ano, que podem dar até 350 frutos por cacho.
O período de frutificação normalmente
vai de janeiro a abril. Colha os frutos quando estiverem
passando do verde para a cor amarela ou vermelha, de plantas
matrizes sem espinhos, sadias e que produzam perfilhos.
Assim que colher os frutos, selecione os de bom aspecto
e não atacados por fungos e pragas. Corte os frutos,
retire as sementes e lave-as em água corrente (em
saco de aniagem) ou deixe-as de molho por 48 horas, com
troca de água a cada 24 horas. Descarte aquelas que
boiarem. Retire os resíduos da polpa, esfregando
as semente em peneira de malha grossa. Em seguida, trate
as sementes com água sanitária a 50%, por
15 minutos. Lave-as em água corrente durante cerca
de 10 minutos e deixe-as secar à sombra por um dia.
Semeie o mais rápido possível, pois com a
secagem as sementes perdem rapidamente o poder germinativo.
SEMEADURA
A semeadura pode ser feita de três
modos: em pequena escala, diretamente em sacos plásticos
pretos colocados em viveiros; em tubete, um recipiente plástico;
ou, ainda, em germinador de areia. O tubete é mais
utilizado na região do Planalto. Esse recipiente
recebe, aproximadamente, de 230 a 350 mililitros de substrato
apropriado.
O tubete plástico só é
viável se a produção de mudas for continua,
devido ao custo dele próprio, da mesa e da sombrite,
sendo utilizado por viveiristas. As regas devem ser planejadas
e o transplante ser feito quando a plantinha tiver com três
ou quatro folhas.
COMO
SEMEAR EM GERMINADOR DE
AREIA
O local para essa semeadura deve estar à
meia sombra, ser bem-drenado, não sujeito a enxurradas
ou enchentes e protegido de animais. Construa o canteiro
com 1,0 a 1,20 metro de largura. O comprimento será
de acordo com a quantidade de sementes. Cada metro quadrado
de superfície comporta quatro quilos de sementes,
no máximo. Se houver espaço disponível,
pode-se reduzir essa quantidade para facilitar o manejo.
Prepare o leito do canteiro com uma camada, de 10 a 15 centímetros
de altura, de areia grossa de rio ou mistura de areia com
até 50% de serragem de madeira curtida, sem cavacos
ou maravalhas. Se preciso, proteja as bordas da sementeira
com madeira ou similar. Espalhe sobre o substrato, ou seja,
sobre o leito de areia ou mistura, uma camada uniforme de
sementes, de modo que fiquem lado a lado. Pressione as sementes
levemente, para aderirem ao canteiro. Cubra-as com 2,5 a
3,0 centímetros de areia ou mistura, isto é,
substrato. Cubra a sementeira com folhas de palmeira, a
uma altura de 50 centímetros do solo.
Regue a sementeira, dia sim, dia não,
com regador ou mangueira de esguicho fino, de preferência
de manhã cedo. O início da germinação
ocorre a partir de 30 dias e se estende até cerca
de 120 dias a pós a semeadura. Depois desse período,
descarte as sementes que não germinaram, pois darão
plantas fracas.
SAIBA
TRANSPLANTAR AS MUDAS
Após as plantinhas atingirem de um
a dois centímetros, descarte as que tiverem espinhos,
pois já é possível observar isso, e
transplante as outras para os sacos plásticos pretos
de 15 a 17 cm de largura por 25 cm de altura, por 0,08 cm
de espessura. Podem também ser utilizados sacos plásticos
menores, no entanto, a muda deverá ser transplantada,
no máximo, até 6 meses de viveiro.
Retire as plantinhas com muito cuidado do
germinador. Para isso, tire uma de suas paredes laterais.
Pegue as mudinhas, colocando as duas mãos em forma
de concha por baixo das raízes, desembaraçando-as.
Tenha o cuidado de conservar as sementes aderidas às
plantas, para não enfraquecer as mudas. Coloque as
mudas nos sacos plásticos.
VEJA COMO ENVIVEIRAR
Os sacos plásticos devem estar cheios
com três partes de terra de superfície e uma
parte de esterco ou composto orgânico bem curtidos.
Se utilizar cama de galinha, reduza a quantidade do composto
pela metade. A terra não deve ser muito argilosa
e nem arenosa para permitir a boa formação
de torrão e a drenagem da água.
Caso utilize terra de barranco ou subsolo,
é necessário enriquecer a mistura acrescentando
2,5 quilos de superfosfato simples, 250 gramas de cloreto
de potássio e 1,5 quilo de calcário dolomítico
por metro cúbico de solo. Essa recomendação
é válida para os solos do Litoral e do Vale
do Ribeira.
Com um chuço de madeira (pedaço
de cabo de vassoura apontado), faça um buraco profundo,
que caiba bem as raízes com a semente aderida. Aperte
delicadamente o saquinho plástico entre as mãos
para aderir a terra às raízes. Regue as plantinhas
em seguida e todos os dias até o pegamento da muda,
uma ou duas semanas, de preferência pela manhã.
Ponha as mudas em canteiros com 1,20 metro de largura, usando
um comprimento adequado para um bom manejo do viveiro. No
fundo do canteiro, faça uma camada de cinco centímetros
de areia, para facilitar a drenagem. Proteja as bordas do
canteiro com bambu, ripas, tijolo ou outro material disponível.
Deixe corredores de 60 centímetros entre os canteiros.
Mantenha as mudas enviveiradas, durante aproximadamente
seis meses, com 50% de sombra, que deve ser retirada, progressivamente,
à medida que a plantinha se desenvolve.
A muda pronta para o transplante ao local
definitivo deve ter três ou quatro folhas, 20 a 30
centímetros de altura, estar livre de pragas e doenças
e estar bem-aclimatada, isto é, acostumada ao sol.
As mudas podem ser enviveiradas a pleno sol.
Entretanto, nessa condição elas necessitam
de um controle de umidade constante, podendo ocorrer maiores
perdas.
CAPRICHE
NO PREPARO DO TERRENO
Para receber as mudas, o terreno precisa
estar bem preparado.
O primeiro passo é retirar amostras da terra da área,
para análise do solo e fazer uma calagem na área
total, com base nos resultados da análise. Repita
a análise a cada três anos, para verificar
as necessidades do solo, principalmente de calcário.
Marque as linhas de plantio no sentido Leste-Oeste, quando
o relevo do terreno for plano. Plante em curva de nível,
quando o terreno for acidentado. O terreno pode ser preparado
mecanicamente com uma aração e uma gradagem,
com sulcos de dois em dois metros, com sulcador de cana,
desde que a topografia permita.
Ao invés de sulcos, podem-se fazer
covas. Essa prática é a mais comum nas regiões
do Litoral Paulista e Vale do Ribeira. As covas devem ter
30 x 30 x 30 centímetros ou 40 x 40 x 40 centímetros,
em solos mais pesados.
Para a produção de palmito,
o espaçamento é de 2 por 1 metro ou de 1,5
por 1 metro em áreas mais inclinadas, e de 8 por
4 metros quando o objetivo for a produção
de sementes.
No plantio em covas, misture à terra
de superfície dois a cinco litros de esterco de curral
curtido ou outra fonte de matéria orgânica
e 100 gramas de superfosfato simples. Encha a cova com essa
mistura, no mínimo, 30 dias antes do transplante
das mudas.
PLANTIO NO CAMPO
O plantio da pupunha é feito em áreas
a pleno sol, de preferência na época chuvosa
e através de mudas, cerca de 5 mil por hectare.
Para implantar a cultura em áreas
mais secas, evite os dias muito frios. Escolha um dia nublado
ou chuvoso para que a planta se adapte melhor.
A pupunha apresenta certa exigência
da água disponível. Em regiões onde
a incidência de chuvas é baixa necessita ser
irrigada, e em zonas com índice pluviométrico
elevado, o desenvolvimento da planta é maior e, em
conseqüência, antecipa o primeiro corte de palmito.
O ideal é que a pupunha seja cultivada
em regiões de até 800 metros de altitude,
quando terá crescimento normal. A temperatura média
ideal é igual ou maior a 22 graus centígrados.
A pupunha não suporta geadas quando as plantas estão
jovens, com 20 a 50 centímetros.
PRINCIPAIS
TRATOS CULTURAIS
Conserve a plantação livre
de ervas daninhas, fazendo roçadas periódicas,
ou usando cobertura de leguminosas ou herbicidas. OBS.
Ao se usar herbicidas, deve-se seguir rigorosamente a orientação
técnica do engenheiro agrônomo.
As leguminosas, como o amendoim silvestre
(Arachis pintoi), desenvolvem bactérias que permitem
a fixação do nitrogênio, podendo, inclusive,
ser inoculadas na semente. Essa prática reduz a necessidade
de adubação nitrogenada.
Não se recomenda capina manual ou
mecânica, pois as raízes dessa palmeira são
muito superficiais. Por esse motivo, a pupunha é
muito afetada pela competição com as ervas
daninhas, principalmente gramíneas. Corrija a acidez
do solo com calcário dolomítico, elevando
de 50% a 60% (conforme as condições edafoclimáticas da região) a saturação por bases (V%).
É possível reduzir as doses de Nitrogênio
(N) em 30%, a partir do quarto ano desde que os restos culturais
fiquem no terreno, como folhas, estipes e bainhas.
A adubação deve ser feita com
base na análise do solo, seguindo-se orientação
do BOLETIM 100 do IAC., e parcelada o mais possível.
É preciso adubar, pois os nutrientes retirados da
terra quando se corta o palmito devem ser repostos, para
não diminuir sua fertilidade. Evite fazer a adubação
na época fria e seca, quando a planta paralisa seu
crescimento. Complemente as adubações com
aplicações de Enxofre (S) e Boro (B), nas
dosagens recomendadas pela análise do solo.
Produtores rurais têm utilizado, com
bons resultados, fórmulas de adubação
30-05-10, , 20-05-10 e 30-05-15, parceladas em quatro ou cinco
vezes ao ano e usando 50 gramas para cada aplicação.
IRRIGAÇÃO
Em regiões com baixa precipitação
(abaixo de 1.600 mm/ano) ou chuvas mal distribuídas,
torna-se necessário o uso de irrigação
para máxima produtividade. Ainda não há
dados definitivos de pesquisa a esse respeito. Resultados
preliminares indicam que o coeficiente de cultura (Kc) está
em torno de 0,80 a 1,00. Na prática, verifica-se
a necessidade de uma lâmina dágua efetiva
de 4 a 8 mm/dia. O custo de irrigação, usando
o tipo canhão, tem variado entre 1.300 a 1.600 dólares/ha.
Para sistemas mais sofisticados, como a microaspersão,
o gotejamento e o pivô central, os gastos são
da ordem de 2.200 a 2.600 dólares/ha.
PRAGAS
E DOENÇAS NO CAMPO
A doença mais comum é a antracnose,
com as mudas vindo contaminadas do viveiro. O fungo Fusarium
foi relatado em mudas e plantas adultas na região
do Vale do Ribeira (SP). Mortes de plantas devido à
bactéria Erwinia têm sido reportadas também
nessa região. Adubação balanceada,
cuidados com a drenagem do solo e ausência de competição
por gramíneas, auxiliam na fitossanidade.
No campo, pode ocorrer o ataque de um coleóptero
grande do gênero Rhyncophorus e outros menores dos
gêneros Strategus e Metamasius. Faz-se o controle
desses insetos através de iscas feitas com tronco
secionado de bananeira ou da própria pupunheira,
sobre o qual se espalha uma mistura de melaço de
cana (atrativo) e um inseticida específico. Há
relatos do ataque de cupins às plantas jovens de
pupunha em regiões bastante infestadas com esses
insetos.
Fator importantíssimo é a sanidade
das mudas em viveiro e uma boa seleção das
plantas a serem levadas ao campo. Mudas com sintomas de
doenças passadas, ou fora do padrão, não
devem ser plantadas no campo e o solo do saquinho não
pode ser reaproveitado.
Tem sido relatada também a ocorrência
de morte da planta-mãe com sintoma bastante semelhante
ao causado por Erwinia (apodrecimento do palmito, cheiro
desagradável e presença de larvas de moscas
no material apodrecido). No entanto, isolamento de grande
quantidade de material com o mesmo sintoma, não detectou
nenhuma bactéria ou fungo fitopatogênico. Por
sua vez, a ocorrência dos sintomas está sempre
associada aos seguintes caracteres: época de verão
com chuvas de moderadas a intensas, plantas em fase de crescimento
acentuado (8 a 18 meses do campo), cultivadas em solos ácidos
(V de 10 a 25%), nos quais foi feita calagem elevada (V
de 70 a 90%) somente na cova, seguida de aplicações
parceladas apenas de adubo nitrogenado. Muitas vezes, apenas
a planta-mãe é atingida, com os perfilhos
apresentando desenvolvimento aparentemente normal. Pesquisas
nessa área prosseguem, embora até o momento
indiquem ser um caso mais de desordem ou desequilíbrio
nutricional que fitopatológico.
DESBASTE DE PERFILHOS
O desbaste de perfilhos não é indicado em
nossas condições. Gastos extras, possibilidade
de contaminar as plantas com doenças e possível
dano à região de emissão de novos perfilhos,
diminuindo a vida útil da touceira, são os
fatores que levam a não indicar essa operação.
Experimentos e observações de plantas ao longo
dos anos têm indicado que, ao menos para o material
inerme (origem Yurimaguas ou Benjamin Constant), a própria
planta controla o desenvolvimento de seus perfilhos. Existe
uma dominância da planta-mãe e, após
o corte dessa, dos perfilhos mais desenvolvidos, que resulta
em um escalonamento da produção dentro da
própria touceira, sem a necessidade de desbaste.
Por outro lado, aconselha-se o corte precoce da planta (colheita)
que não apresentar perfilhamento até 12 meses
após o plantio. Esse procedimento (retirada da dominância
apical) induz ao perfilhamento em plantas jovens, mas não
tem a mesma taxa de sucesso quando efetuado em plantas mais
adultas.
Quando o objetivo é produção
de frutos e/ou sementes, o manejo de perfilhos também
não deve ser feito. Deixa-se a planta crescer sem
desbaste, cortando-se posteriormente alguns estipes em excesso
na touceira, utilizando-se para a produção
de palmito. Esse processo pode ser usado também em
sistemas agroflorestais, nos quais a produção
conjunta de frutos e palmito deve ser incentivada como fonte
suplementar de renda ao agricultor.
CONSORCIAÇÃO
COM OUTRAS CULTURAS
A pupunha não deve ser consorciada
com outras culturas no espaçamento aqui recomendado
para palmito (2,0 x 1,0 ou 2,0 x 1,0 x 1,0 m). No início
da implantação, o uso de cultivos anuais pode
prejudicar o sistema radicular pela constante necessidade
de capinas. Culturas permanentes também não
são indicadas, a não ser que se façam
plantios em faixa, deixando-se espaço suficiente
entre o cultivo escolhido e a palmeira para não afetar
o seu desenvolvimento. A pupunha quando sombreada, mesmo
que levemente, cresce em altura e não se desenvolve
bem em diâmetro, que é o que interessa para
a produção de palmito.
No caso de campo a produção
de sementes, para qual é recomendado o espaçamento
mínimo de 8 x 4m, pode-se plantar outras culturas,
anuais ou perenes, desde que não se use capina e
que o outro cultivo não sombreie a pupunha. Plantas
sombreadas, além de crescerem muito em altura, floresce,
e frutificam pouco.
COLHEITA
No Brasil, a colheita do palmito é
feita entre 18 e 36 meses do plantio, dependendo do solo,
clima, espaçamento e adubação. A produção deverá ser de 300 a 600 gr, com 30% de palmito de primeira e 70% de palmito de segunda por estipe. Não é
recomendável colher-se em idades superiores a 36 meses,
pois terá problemas no manejo do corte e na industrialização.
Escalonar a colheita de palmito com base
no diâmetro da planta (a 50 cm de altura), entre 10
e 14 cm é o indicado. Em condições
normais, plantas em primeiro corte alcançam esse
diâmetro quando a haste principal está entre
160 e 180 cm de altura. Nos cortes subsequentes o diâmetro
de corte será alcançado quando a haste do
perfilho a ser colhido tiver entre 180 a 210 cm de altura.
O corte raso (todas as plantas do talhão) não
é indicado por causar queimadura de folhas nos perfilhos
expostos, repentinamente, à condição
de maior luminosidade. Recomenda-se o corte alto (deixando-se
o máximo de estipe, não aproveitável
para o palmito, ainda na touceira) para reciclar os nutrientes
aos perfilhos.
O corte do palmito pode ser feito durante
o ano todo, porém deve-se evitá-lo na época
seca, porque 90% do palmito é água e nesse
período ele terá, consequentemente, menor
peso. Irrigação antes da colheita (2 a 5 dias
antes do corte) aumenta a produção e diminui
a cor amarelada do produto final. Constata-se também
que em regiões com pouco umidade a bainha interna
é curta, portanto menos será o rendimento
em palmito (seja em peso, seja em volume), porque o comprimento
da bainha mais interna é que determina o número
de toletes a serem obtidos. Normalmente, são esperados
de 2 a 4 toletes de 9 cm de comprimento por palmito.
A periodicidade de colheita por planta é
também bastante variável. Nas condições
e para o tipo de palmito de maior aceitação
entre nós (acima de 2,5 cm de diâmetro), colhe-se
um palmito na mesma touceira a cada 8 meses. O palmito sai
do campo quase limpo, medindo 60 a 70 cm de comprimento
e com apenas 2 a 4 bainhas extras a serem posteriormente
descartadas. A perda de água do palmito após
a colheita é grande, chegando até 10% por
dia.
No Brasil, como a colheita inicial é
feita por volta de 18 meses, termina-se o primeiro ciclo
após 2 a 3 anos de plantio, sempre dependendo do
clima, solo, adubação e tratos culturais adotados.
Durante a colheita, deve-se tomar cuidado para não
ferir o palmito. Choques mecânicos, queda ou
pancada, mesmo sem sinais externos, causam defeitos internos
no palmito, comprometendo sua aparência e qualidade.
O desbaste ou descascamento prévio, é feito
no interior do cultivo e tem como finalidade reduzir o peso
e o volume do material a ser transportado para a indústria.
O desbaste deve ser cauteloso, evitando-se o corte excessivo
das extremidades, pois além das perdas em rendimento,
pode-se, em períodos quentes e úmidos, propiciar
o aparecimento de podridão. O desbaste deve ser feito
apoiando-se a extremidade de baixo (estipe) do palmito bruto
sobre as próprias folhas cortadas (já no chão),
de forma a evitar o risco de contaminação
da peça ou talo, que vai à indústria,
com o solo e/ou outros contaminantes.
Todo material descartado (limbos + bainhas
foliares e porção não aproveitável
do estipe), deve ficar no local para reciclagem. Em climas
quentes e úmidos ou em cultivo sob irrigação,
a decomposição completa desse descarte não
leva mais do que 3 a 4 meses.
O transporte do palmito ainda com 2 a 4 bainhas
externas para proteção, deve ser realizado
nas horas mais frescas do dia e com todo o cuidado para
evitar quedas e pancadas. Umidade excessiva do material,
mesmo durante o transporte ou armazenamento externo na indústria,
favorece o desenvolvimento de microorganismos, permitindo
o aparecimento de podridões.
LEGALIDADE
O IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis), que executa
a fiscalização das indústrias beneficiadoras
de palmito, já regulamentou o transporte da matéria-prima
ao natural da propriedade agrícola para indústrias
beneficiadoras, centros de abastecimento e feiras-livres,
por meio da Instrução Normativa n.º 2,
de 30-9-1997. Ela estabelece a necessidade de um laudo que
deve ser preenchido por um técnico da Casa da Agricultura
ou dos Escritórios do Departamento Estadual de Proteção
dos Recursos Naturais - DEPRN, para transporte do palmito.
Outra exigência para o transporte é a Nota
Fiscal do Produtor devidamente preenchida.
Essas medidas visam permitir que o palmito pupunha seja
transportado sem problemas com a Polícia Florestal.
PROCESSAMENTO
O processamento do palmito deve obedecer
as normas técnicas de industrialização
e de envasamento. O Instituto de Tecnologia de Alimentos
(ITAL), em Campinas, órgão da Secretaria de
Agricultura e Abastecimento, está preparado para
orientar as pequenas indústrias. Elas devem, também,
obedecer aos critérios estabelecidos pela Vigilância
Sanitária Estadual, vinculada à Secretaria
da Saúde do Estado de São Paulo.
CARACTERÍSTICAS
DO PALMITO
O palmito da pupunha apresenta a grande vantagem
de não escurecer rapidamente após o corte,
o que é comum na maioria das palmeiras usadas para
palmito, inclusive o açaizeiro (Euterpe oleracea)
e o palmiteiro (Euterpe edulis). Isso facilita o processamento
e permite desenvolver outras formas de comercialização
do produto. O consumo in natura do palmito deve
ser incentivado e estudos estão sendo realizados
par aumentar a duração pós-colheita.
No entanto, como todo produto vegetal, é perecível
e deve ser processado ou consumido em prazo máximo
de 4 a 7 dias após a colheita, maiores prazos de prateleira dependem de um processo meticulosode sanitização e conservação pela cadeia fria. O palmito da pupunha
é de coloração mais amarelada que o
da juçara e do açaí e possui um sabor
característico mais doce.
Como dito anteriormente, irrigação
antes do corte (2 a 5 dias) aumenta a produção,
enquanto seca e adubação recente aumentam
a coloração amarelada final do produto.
RECOMENDAÇÕES
FINAIS
Não restam dúvidas que, entre
as palmeiras utilizadas para produção de palmito
de boa qualidade, a pupunheira é precoce e relativamente
rústica. No entanto, é uma cultura exigente
quanto as características físicas do
solo, especialmente compactação e drenagem,
necessita adubação pesada para máxima
produtividade e correção da acidez do solo
a cada quatro anos. A exigência em água do
cultivo também é elevada, sendo necessária
irrigação quando cultivada em áreas
com déficit hídrico. A pupunheira é
sensível a algumas doenças importantes do
ponto de vista de disseminação e controle,
tais como as causadas por Fusarium e Erwinia.
Recomenda-se aos interessados no cultivo
dessa palmeira, visitar as instituições de
pesquisa que trabalham com a cultura, procurando conhecer
a realidade do cultivo (vantagens, desvantagens, solo e
clima recomendados, principais problemas, etc.) e se assegurar
da idoneidade de vendedores de sementes e viveiristas. Se
possível, visitar plantios existentes em regiões
edafoclimáticas semelhantes as do local onde
se pretende iniciar o cultivo. Em seguida, fazer uma boa
escolha da área onde será feito o plantio,
iniciando com pequenos lotes. Posteriormente, expandir o
cultivo de acordo com o comportamento da planta na região
e os objetivos aos quais se propuseram inicialmente.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOVI, M. L. A. Palmito
Pupunha: Informações
Básicas para Cultivo. Boletim Técnico 173.
Campinas, IAC, 1998.
VIANNA
NETO, F. Renato e COSTAS MONTERO, S. C. Rozeli.O
Palmito Pupunha, do plantio à colheita. Instrução
Prática 261. Campinas CATI/SAA. 1998.
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